quarta-feira, 19 de novembro de 2008
José de Alencar - parte1 at Listal
José Martiniano de Alencar (1829-1877), político, jornalista, advogado e escritor brasileiro. Foi o maior representante da corrente literária indianista. Cearense, com parte da adolescência vivida na Bahia, José de Alencar formou-se em Direito e foi jornalista no Rio de Janeiro. Vaidoso e sentimental, iniciou sua carreira literária em 1857, com a publicação de O guarani, lançado como folhetim e que alcançou enorme sucesso, o que lhe rendeu fama súbita. Sua obra costuma ser dividida em três etapas: 1) Romances urbanos: Cinco minutos (1860), A viuvinha (1860), Lucíola (1862), Diva (1864), A pata da gazela (1870), Sonhos d’ouro (172, Senhora (1875) e Encarnação (1877). 2) Romances históricos: O Guarani (1870), Iracema (1875), As Minas de prata (1865), Alfarrábios (1873), A guerra dos mascates (1873) e Ubirajara (1874). 3) Romances regionalistas: O gaúcho (1870), O tronco do Ipê (1871), Til (1872), O sertanejo (1876). José de Alencar criou uma literatura nacionalista onde se evidencia uma maneira de sentir e pensar tipicamente brasileiras. Suas obras são especialmente bem sucedidas quando o autor transporta a tradição indígena para a ficção. Tão grande foi a preocupação de José de Alencar em retratar sua terra e seu povo que muitas das páginas de seus romances relatam mitos, lendas, tradições, festas religiosas, usos e costumes observados pessoalmente por ele, com o intuito de, cada vez mais, “abrasileirar” seus textos.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
TIPOS DE PERSONAGENS
Resumo: A personagem é o elemento vivo de uma narrativa. Comumente é uma pessoa, mas pode ser um animal, uma boneca e o que mais a imaginação do artista inventar. Existem personagens tanto em obras ficcionais como não-ficcionais, assim como o termo se aplica não apenas à literatura, como também ao cinema, teatro, dança, história em quadrinhos e outros.
Palavras-chave: personagem, leitura.
Geralmente, quando lemos um romance, fica a impressão de alguns fatos organizados em enredo e de uma personagem que vive estes fatos. É uma impressão praticamente que não pode ser dividida: quando pensamos no enredo, logo pensamos nas personagens, quando pensamos nestas, pensamos simultaneamente na vida em que vivem, nos problemas que se enredam, na linha do seu destino. O enredo existe através das personagens, as personagens vivem o enredo.
A personagem vive o enredo e a idéia, e os tornam vivos. “Enredo e personagem exprimem, ligados, os intuítos do romance, a visão da vida que decorre dele, os significados e os valores que o animam”.(Candido, 2002, p 54).
Não espanta, portanto, que a personagem pareça o que há de mais vivo no romance, e que a literatura desta dependa basicamente da aceitação da verdade da personagem por parte do leitor.
O romace moderno (do século XVIII ao começo do século XX) foi no rumo de uma complicação da psicologia das personagens, dentro da inevitável simplificação técnica imposta pela necessidade de caracterização. Ao fazer isto, nada mais fez do que desenvolver e explorar uma tendência constante do romance de todos os temas, acentuada no período mensionado, isto é, tratar as personagens de dois modos principais: Como seres fáceis de serem entendidos, que sua face não muda e do início ao fim do enredo não mudam o seu modo de ser; como seres complicados semelhantes a uma pessoa, difícil de ser entendido, que à medida que o enredo segue muda seu modo de ser e agir.
No século XVIII as personagens eram chamadas de “personagens de costumes” e “personagens de natureza”, as personagens de constumes são muitos divertidas; mas podem ser muito mais bem compreendidas por um observador superficial do que as de natureza.“ A diferença entre eles é tão grande quanto a que há entre um homem que sabe como é feito um relógio e um outro que saber dizer as horas olhando para o mostrador” (Cândido, 2002, p 61).
As “personagens de costumes” são, portanto, apresentadas por meio de traços distintos, fortemente escolhidos e marcados; por meio, em suma, de tudo aquilo que os distingue visto de fora. Estes traços são fixados de uma vez pra sempre, e cada vez que a personagem surge na ação, basta invocar um deles. Como se vê, é o processo fundamental da caricatura.
As “personagens de natureza” são apresentadas, além dos traços superficiais pelo seu modo íntimo de ser, e isto impede que tenham a regularidade dos outros.“ Não são imediatamente indentificáveis, e o autor precisa, a cada mudança de seu modo de ser, lançar mão de uma caracterização diferente, geramente analítica, não pitoresca” (Cândido, 2002, p 62).
Em nosso dias, as personagens são conhecidas como “personagens planas” e “personagens redondas”. As personagens planas eram chamadas temperamentos no século XVII e são por vezes chamadas tipos, por vezes caricaturas, na sua forma mais pura, são construídas em torno de uma única idéia ou qualidade; quando há mais de um fator nele, temos o começo de uma curva em direção á esfera. Personagens planos não são muito diferentes duma mobília, e não deve ser. Eles fazem exatamente aquilo que se espera deles e nada mais.
As personagens redondas não são claramente definidas, mas concluímos que as suas caractetísticas se reduzem essencialmente ao fato de terem três, e não duas duas dimensões; de serem, portanto, organizadas com maior complexidade e, em consequência, capazes de nos surpreender. A prova de uma personagem redonda é a sua capacidade de nos surpreender de maneira convincente. Esse tipo de personagem é, como a maioria das pessoas reais, complexa. Elas possuem mais de uma dimensão. Geralmente, isso resulta em contradições internas nestes personagens.Na verdade, uma personagem é redondo se ele ou ela puder fazer algo que ninguém imagine que ela possa fazer.
No entanto, a personagem é sempre um ser que domina no hemisfério do imaginário, apresentado por um ator real que salienta e evidencia alguns aspectos visuais e auditivos da figura que pretende representar, acabando por lhe dar poderes que confundem, muitas vezes, o leitor ou espectador, ou seja, discernir a verdade a partir da qual a personagem foi criada e o espaço que domina , é muitas vezes uma tarefa árdua.
A personagem acaba por ser uma figura coerente, uma vez que é criada a partir da observação do real, como tal, quem a cria pode atribuir-lhe um caráter rico e exemplar, uma vez que a sua esfera de ação, os seus atos são sempre limitados pelo mundo imaginário onde a ação se desenrola pela pena de quem a cria. Ficcionalmente as personagens são mais ricas que as pessoas reais, uma vez que neste domínio, as últimas são de menos importância.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
Antonio, Candido, A personagem de Ficção. 10ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2002.
Brait, Beth, A personagem. 6ª ed. São Paulo: Ática, 1998.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Este livro tem um final feliz, onde os personagens passam por cima de todos os obstáculos, para enfim ficarem juntos. E assim também deve ser na nossa vida, sempre lutar pelo que você deseja.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
LÚCIA: ANJO OU MULHER FATAL
Cristina
Francinilda
Maria Elioneide
Railma
Resumo
Neste artigo enfocaremos as faces da mulher prostituta de José de Alencar, dando maior ênfase ao tratamento dado por ele à prostituta do século XIX, cujo perfil se distancia dos padrões de conduta e valores da sociedade brasileira. Através da personagem Lúcia, Alencar representa as contradições existentes entre essa personagem e os princípios que regiam o período em que viveu.
Palavras- chaves: Romance; prostituição; José de Alencar.
ABSTRACT
This article enfocaremos the faces of women to prostitute José de Alencar, giving In greater emphasis to the treatment given him by the prostitute of the nineteenth century, where whose profile is far standards of conduct and values of Brazilian society. Through the character Lucia, Alencar represents the contradictions between the character and principles that govern the period in which they lived.
O movimento romântico acarretou extremas transformações, principalmente no plano social. No século XIX, a literatura romântica deu maior destaque aos aspectos da realidade. Foi, nesse espaço, que José de Alencar procurou acentuar o papel social da prostituta, em pleno século XIX. Segundo Alencar, (1988, p.25):
Lúcia é a representação da prostituta que assume e tem consciência dos preconceitos sociais que se mantinha envolvida, como podemos observar no seguinte fragmento: “Que importa? Contanto que tenha gozado de minha mocidade! De que serve a velhice às mulheres como eu?”.
Costumamos ouvir, e dizer, que a prostituição é a profissão mais antiga da humanidade. No entanto, a prostituição é um fenômeno essencialmente urbano, e se apresenta como uma alternativa momentânea à quebra da disciplina, principalmente em relacionamentos que preservam esse caráter machista do poder e do sexo. Segundo Gavramic (2008):
A prostituição é o território do prazer ilegítimo na vida cotidiana, onde muitos podem revelar suas fantasias e suas identidades sexuais mesmo que temporariamente desestruturadas sem que corram o risco de terem suas identidades sociais comprometidos retornando íntegros ao lar, a família, e ao trabalho.
Lucíola é um romance urbano que tematiza a prostituição como resultante de fatores familiares e sociais. Embora se classifique como um romance romântico, nele há manifestação do estilo realista, pois nele Alencar denuncia a discriminação que a sociedade mantém em relação às mulheres que se entregaram à prostituição.
O perfil de mulher tipicamente alencariana se contrapõe entre o amor puro e virginal idealizado pelo estilo romântico e a devassidão e libertinagem do modelo realista. Logo no início da obra, Alencar caracteriza Lúcia como símbolo da mulher guerreira, decidida, uma prostituta que usufruía de todo luxo e requinte na sociedade carioca, que vivia suas noites mergulhadas em orgias. Margareth Rago (1991, p.37) diz que “A prostituta foi recoberta com múltiplas imagens, que lhe atribuíram características de independência, liberdade e poder”, como se vê na obra em estudo: Alencar (1988, p.42):
Lúcia ergueu a cabeça com orgulho satânico, levantando-se de um salto, agarrou uma garrafa de champanha, quase cheia. Quando a pousou a mesa, todo o vinho tinha lhe passado pelos lados, onde a espuma fervilhava ainda. [...] Lúcia saltava-se sobre a mesa. Arrancando uma palma de um dos jarros de flores, traçou-a nos cabelos, coroando-se de verbena como as virgens gregas. Depois agitando as longas tranças negras, que enroscaram quais serpes vivas retraiu os rins num requebro sensual.
Por se tratar de uma obra romântica, Alencar vê a prostituição de Lucíola como um meio para que se chegue a uma regeneração. Como se Lúcia fosse o objeto social do prazer e seu amor por Paulo fosse o seu objeto de purificação. Jose de Alencar quer mostrar em sua obra que todas as Lucíolas merecem ser felizes e que, portanto não são diferentes das outras mulheres da sociedade. Critica a forma preconceituosa da sociedade e ao mesmo tempo coloca a prostitua em um patamar de igualdade as demais mulheres.
No romance, a personagem Lúcia tem dupla personalidade, ora se simboliza pela pureza, ora pela devassidão. A personagem tem personalidade complexa, ela é o resultado da teoria de Rousseau: “O homem nasce bom e a sociedade o corrompe”.
Já no final da obra, Alencar apresenta Lúcia como frágil, incapaz de superar os obstáculos que a vida apresenta. Abandona a vida de luxúria e de devassidão e opta por uma vida simples, posição que uma verdadeira personagem romântica deve ter. Conforme Alencar (1988, p.110):
Lucia escondeu o rosto dos meus joelhos e emudeceu. Quando levantou a fronte, implorava com as mãos juntas o olhar súplice. O quê? O perdão de minha primeira falta? Não sei. Faltaram-me as palavras para consolar dor tão profunda: beijei Lucia na face.
Ainda, segundo Rago (1991), não foi tranqüila a relação da sociedade com a profissionalização dos ofícios e com a instituição de relações assalariadas de trabalho, ou seja, foi muito complexa a relação com a separação entre o amor desinteressado e o prazer sexual, principalmente para as mulheres. “A atração pela prostituta, que detonava modernidade, significava a total empatia do homem com o universo alucinante das mercadorias” (p. 41).
Alencar desenvolveu, na maioria dos seus romances, a idéia da mulher vista como luz que sempre desaparecia como por encanto. Ou seja, brilhava quando mocinha, e sumia quando casava. Normalmente essas mocinhas tinham entre 14 e 18 anos, mas encontramos Lúcia, que foge à regra, pois tinha vinte e um anos, mas era uma prostituta.
Lúcia foi transformada por José de Alencar em uma prostituta incomum, pois teve o direito de amar. E foi admirada por Paulo desde o primeiro instante que ele a vira. Segundo Alencar (1988, p.14):
A lua vinha assomando pelo cimo das montanhas fronteiras; descobri nessa ocasião, a alguns passos de mim, uma linda moça, que parara um instante para contemplar no horizonte as nuvens brancas esgarçadas sobre o céu azul e estrelado. Admirei-lhe do primeiro olhar um talhe esbelto e de suprema elegância.
Mas, vale ressaltar que Paulo não manteve suas idéias sobre Lúcia, pois nitidamente se vê a vergonha que sentiu quando Sá fez um comentário, como pode ser comprovado no trecho abaixo. Conforme Alencar (1988, p.15):
Compreendi e corei de minha simplicidade provinciana, que confundira a máscara hipócrita do vício com o modesto recato da inocência. Só então notei que aquela moça estava só, e que a ausência do pai, de um marido ou de um irmão, devia-me ter feito suspeitar a verdade.
Desejo e prazer eram despertados nos homens, pela prostituta, instinto os quais não se misturavam aos sentimentos. Considera-se, assim que o sentimento de Paulo, despertado por Lúcia, fugia a esse estereótipo, pois aparecia como frágil diante de Lúcia e dividido pelos pensamentos convencionais que o assolavam: Segundo Alencar (1988, p.19):
No Brasil não há, segundo Pereira (1976) uma autêntica discriminação contra a prostituição, como não há contra o negro. Então, na realidade, ela não se sente isolada socialmente. Pode viver uma vida familiar e social, bem aproximada da normal, desde que se libere da carga criminógena que conduz consigo, em face de suas intimas relações com o meio marginal, que a parasita ou escraviza. Não seria fácil descarregar essa carga negativa em uma mulher fraca e quase sempre ignorante.
Quanto a Lúcia, esta sempre teve consciência da vida que levava, pois todas as suas fases eram lembradas e guardadas com verdade: a pureza da infância; o sacrifício da honra à saúde do pai; a brutalidade fria com que é violada condiciona toda sua vida. A lembrança de uma inocência perdida é não apenas possibilidade permanente duma pureza futura, mas a própria razão de sua repugnância à prostituta.
A devassidão como domava os amantes se contrapunha à pureza de sentimentos que por vezes assolavam seu coração, arrebatado por paixões, por vezes impossíveis, o que era totalmente contrário às leis da prostituição. Por outras palavras, a sua sensualidade desenfreada nos parece como meio de sofrimento para abrandar a culpa, renovando incessantemente as oportunidades de auto punição.
Assim, por sua pureza de alma e de sentimento, se transforma em uma mulher angelical, mas por sua beleza e sedução é marcada por uma vida de luxúria e devassidão. Em meio a tanta contraposição, Alencar vê na sua morte a sua redenção e única forma de se libertar de uma sociedade tão injusta.
Referencias bibliográficas
ALENCAR , José. Lucíola.São Paulo: Ática, 1988.
GAVRANIC, Arlete Mª Girello Tavares. Prostituição. INSTITUTO ISEXP: Instituto Brasileiro Interdisciplinar de sexologia e medicina Psicossomática..In:http:// www.isexp.com.br Acesso em out/2008.
PEREIRA, Armando. Prostituição: uma visão global. 2ed. Rio de Janeiro: Pallas, 1976. .
RAGO, Margareth. Os prazeres da noite: prostituição e códigos da sexualidade feminina em São Paulo, 1890-1930. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991.
O NARRADOR PERSONAGEM DE DOM CASMURRO
Maria Elioneide de Sousa
A obra Dom Casmurro relata a história de Bentinho e Capitu, personagens principais, que crescem juntos e desenvolvem um afeto amoroso um pelo o outro. Entretanto, a mãe de Bentinho queria que o mesmo se tornasse padre. A sorte dos mesmos se deu pela interferência de José Dias junto à mãe do menino. Casam-se e se não fosse à amizade de Sancha e Escobar, suas vidas seriam tediosas, ate que nasce um filho, Ezequiel, que a princípio lhe traz alegrias e mais tarde torna-se o motivo de suas frustrações.
Palavra chave – Casmurro, Bentinho, Capitu, Ciúmes, adultério, Dissimulação.
... A imaginação foi companheira de toda minha existência.
Dom casmurro.
Importa lembrar que o narrador é, de fato uma invenção do autor; responsável de um ponto de vista genérico pelo narrador. E, na obra Dom Casmurro, de Machado de Assis temos o tipo de narrador-personagem que conta a história em 1ª pessoa da qual participa também como personagem. Ele tem uma relação íntima com os outros elementos da narrativa. Sua maneira de contar é fortemente marcada por características subjetivas, emocionais.
Essa proximidade com o mundo narrado revela fatos e situações que um narrador de fora não poderia conhecer, essa proximidade faz também com que a narrativa seja parcial, impregnada pelo ponto de vista do narrador.
Dom Casmurro é um romance de cunho moralista, narrado em 1ª pessoa, onde o personagem narrador tenta persuadir o leitor da verdade a respeitos dos fatos por ele relatados.
Desde o principio do livro, o narrador se apresenta como detentor da verdade, tentando privar o leitor de reflexões que venham a questionar o mesmo no decorrer da narrativa. Trata-se de uma das artimanhas do narrador a conduzir o leitor a enxergar e interpretar os fatos através dos olhos do próprio narrador. Segundo Marta de Sena (1998), “Verifiquemos estar lidando com narrador dissimulado que desorienta deliberadamente o leitor, conduzindo-o por pistas falsas”.
Criando um mundo ilusório, o narrador deixa-se levar pela imaginação: “a imaginação foi companheira de toda a minha existência... (Assis, 1996, cap. Xl)” este fragmento mostra a incredibilidade dos fatos por ele enfocados, onde transparece que este fantasia os fatos de acordo com a sua suposta realidade.
O narrador, ao mesmo tempo em que ordena o leitor, com o propósito de manipulá-lo e assim atingir seus objetivos, mostra um bajular do narrador em relação ao leitor. Não que isso faça com que o leitor acredite fielmente nas suas palavras, mas que aceite sem questionamento suas idéias, pode-se perceber isto nos seguintes argumentos: “não consultes dicionários Casmurro não está no sentido que eles lhes dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo” (Assis, 1996, cap. I); “Pois, senhor não consegue recompor o que foi, nem o que fui” (Assis, 1996, cap. II)”. Por outro lado leitor amigo, nota que eu queria levantar suspeitas de cima de Capitu.” (Assis, 1996, cap. XLI). Tais bajulações fazem com que o leitor aceite sem questionar as idéias postas pelo mesmo.
Quando essas estratégias não são suficiente ele lança mão de uma outra estratégia, na cabeça do leitor conceitos repetitivos, para que o mesmo não desvie sua linha de pensamento para outro prisma: “Há conceitos que devem incutir na alma do leitor à forca de repetição”. (Assis, 1996, cap. XXXI). Apesar de ser um narrador que se deixe levar pela ilusão de seus pensamentos, ele é muito astuto, após formar a consciência descontinua do seu discurso, induz o leitor a preencher as lacunas, pois como diz o mesmo, “tudo se pode meter nos livros omisso”. (Assis, 1996, cap. LIX).
É o tipo de narrador que cria dentro de uma determinada situação, interpretações falsas ou, no mínimo, imprecisas, que tenta nos levar a acreditar nelas como sendo verdadeiras, a cerca do suposto adultério de Capitu, podemos comprovar este caráter no seguinte fragmento: “Capitu olho tão fixo não apaixonadamente fixa, que não admite lhe saltarem algumas lágrimas poucas e caladas” (Assis, 1996, cap. LXXII). É neste momento que ele tem a certeza do adultério.
BIBLIOGRAFIA
ASSIS, Machado. Dom Casmurro, Coleção Prestígio, 33 ed, Rio de Janeiro: Ediouro, 1996.
SENA, Marta de. O Olhar Oblico do Bruxo: Ensaios em torno de Machado de Assis.
REGIS, Carlos Lopes, Ana Cristina M. Dicionário de Teoria Narrativa. São Paulo: Ática, 1988.
